Nascido em Belo Horizonte, Wander Piroli (1931-2006) fez do bairro em que nasceu, Lagoinha, a ambientação para muitos de seus textos. Reduto de famílias italianas – como a do escritor -, principal zona boêmia da capital mineira e marcada por uma forte presença operária, Lagoinha era perfeita para abrigar os tipos socialmente marginalizados e a simplicidade que percorre as histórias de Piroli. Antes de se tornar um dos mais admiráveis contistas do país, Piroli formou-se em direito pela UFMG, mas logo enveredou pelo jornalismo. Passou por quase todas as redações de Belo Horizonte, como as do jornal Estado de Minas e Hoje em Dia. Editou o lendário Suplemento Literário de Minas Gerais, do qual demitiu-se depois de uma edição ter sido censurada, dizendo que não queria ser o “coveiro da literatura de Minas”. Sua carreira de escritor tem início ao vencer um concurso literário promovido pela prefeitura de Belo Horizonte, em 1951, com o conto “O troco”. Foi apenas quinze anos depois que publicou este seu primeiro livro, A mãe e o filho da mãe, agora publicado pela SESI-SP Editora. No entanto, foi na literatura infantojuvenil, com a publicação de O menino e o pinto do menino (1975), que ganhou a notoriedade nacional. O livro vendeu três mil exemplares em seis dias só no Rio de Janeiro e foi considerado um divisor de águas na literatura para crianças — um texto original, realista, que terminava com um palavrão. Depois vieram, também para crianças, Os rios morrem de sede (1976), que lhe rendeu o prêmio Jabuti de Melhor Livro Infantil, Macacos me mordam!… (1978), Os dois irmãos (1980) e Nem filho educa pai (1998). Para adultos, publicou ainda A máquina de fazer amor (1980), Minha bela putana (1985) e Lagoinha (2003). Piroli faleceu em Belo Horizonte, aos 75 anos. O matador, também para crianças, foi publicado postumamente, em 2008, assim como é proibido comer a grama, Para pegar bagre de dia é preciso sujar a água, e Eles estão aí fora, seu único romance. Em 2014, saiu pela Cosac Naify Três menos um é igual a sete, uma noveleta. Deixou inéditos, ainda, os textos infantis Os peixes saem andando e Se não tem pra nós, não tem pra ninguém, entre outros.

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