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Em análise: Ribolópolis

 

Por Philip Ardagh | Originalmente publicado em The Guardian (http://bit.ly/2elJDvf)

 

Em um conto de Saki, o método "Schartz-Metterklume" é um falso sistema de ensino inventado por Lady Carlotta (que é confundida com uma governanta e decide não desfazer a confusão). O tal método envolve fazer as crianças entenderem a história enquanto a representam, o que – quando se estuda a Roma antiga – se demonstra extremamente perigoso (pense nas mulheres sabinas). Deixe-me lhe dizer que isso não é nada perto dos perigos enfrentados pela equipe e, principalmente, pelos alunos da escola Ribolópolis.

A primeira incursão de Andy Mulligan na ficção infantojuvenil é uma explosão de ar fresco. É estranho e maravilhoso e muito difícil de definir. A narrativa ocorre quase exclusivamente nas (e ao redor das) Torres de Ribolópolis, destelhadas após um incêndio criminoso. O lema da escola torna-se “A vida é perigosa” e simplesmente comparecer a ela prova ser uma excelente base de treinamento para esta verdade inegável.

Suspeito que a Disney não terá tanta pressa em transformar Ribolópolis num filme familiar, muito embora, milagrosamente, o livro esconda um coração verdadeiramente bem-humorado em seu âmago. Os alunos bebem e usam armas de fogo. Eles também andam sobre as linhas de trem, um se esconde em um freezer, e há até mesmo um incidente envolvendo uma motosserra e um cabo de alimentação de energia.

Mas isso está longe de ser uma tentativa do século XXI de atualizar a escola St. Trinian's [de Ronald Searle]. O álcool, um gole de rum para cada, é fornecido pelo diretor para compensar a falta de aquecimento (e de telhado). As armas incluem um revolver dado a Sanchez, colombiano filho de gângster, que se esconde na escola depois de sofrer uma tentativa de sequestro; e uma pistola de pederneira, além de uma besta, usada por Casper Vyner, cuja mãe aluga o prédio para a escola (enquanto vive na Torre Sul). A tentativa de cortar a energia é parte de uma missão de resgate.

Surpreendentemente, no meio de banais acidentes de trem, roubos de cartão de crédito e experiências de controle mental, a maioria dos alunos junta forças para o bem, na maior parte do tempo. Eles se preocupam com a escola e também uns com os outros, então o leitor se importa. Entre eles estão Sam, seu amigo Ruskin e cerca de uma dúzia de órfãos estrangeiros. Depois, há a maravilhosa Millie, a única garota em Ribolópolis, em torno da qual transcorre a maior parte da ação.

Mas é com o que está acontecendo sob seus pés que eles devem se preocupar. Experimentos desprezíveis estão sendo realizados em alguns túneis antigos da segunda guerra mundial. Mais ou menos no meio do livro, coisas realmente desagradáveis começam a acontecer. Esteja ciente, isso certamente não é uma comédia leve para todas as idades. Um personagem principal é gravemente ferido em um ato de heroísmo e um molde de cobre torna-se cada vez menos cômico à medida que o calor aumenta.

A equipe da escola é encabeçada pelo bondoso Dr. Giles Norcross-Webb, que segue a velha máxima do todos-juntos e olhando-para-o-lado-positivo. Ele navega pela história com alegria, desconhecendo o quão sério as coisas estão, trazendo um verdadeiro charme aos procedimentos. Ele é habilmente assistido pelo capitão Routon, que vê cada crise como um desafio a ser comparado a seu passado militar, e pela professora Clarissa Worthington, que prova seu valor de várias maneiras. A vilã do roteiro é a senhorita Hazlitt. E há muito mais sobre a horrível Hazlitt do que aparenta.

Ribolópolis é uma diversão de octanagem desesperadamente perigosa, do mais alto nível: um prazer ultrajante. Foi agradável descobrir que – ao contrário da Lady Carlotta, de Saki – o autor Andy Mulligan é, ou era, ele mesmo um genuíno professor. Você foi avisado.

Comentários.

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